Uma gargalhada no fim do túnel...

Pobre homem! Pobre homem!
Canta um coro de anjos
Como uma criança solitária
Que encontrou a mãe morta
Caída no chão frio da cozinha
Você camufla o medo
E engole o choro
Mas hoje o céu da alma
Está cheio de nuvens de tempestade
Você esconde o horror
Atrás de um sorriso amarelo
Mas o seu mundo interior
É cheio de submundos
Habitados por fantasmas
E assombrações de traumas antigos
Você fala em Deus e faz as suas orações
Mas esconde o rosto atrás de uma máscara
No fundo, que coisa triste, você sabe
Que não acredita em deus nenhum
Será que Deus ainda acredita em você?
O mundo gira a mil por hora
E não diminui a velocidade
Para você descer e correr
Uma verdade amarga paira sobre nós
Estamos perdidos dentro de nós mesmos
Mais solitários do que nunca
Sujeitos às intempéries do mundo
Mais ansiosos que nossos pais
Mais preocupados que nossos avós
Vazios de sonhos e alma
Oportunistas de espírito
Estranhos ao reflexo inerte
Que vemos no espelho
Juramos que somos humanos
Mas o nosso coração nos trai
Sabemos a fera que somos
E no fundo, temos vergonha
De dizer: Isso sou eu.
Pobre homem! Pobre homem!
Que caos! Que escuridão!
Quando foi que você desistiu de acreditar?
Quem te roubou a fé?
Quem te vendeu gato por lebre?
Quem colocou esse peso sobre os seus ombros
Quem pôs essa preocupação na sua cabeça?
E essa angústia no seu peito, quem colocou?
Há um céu de bronze sobre a sua cabeça
Um chão de ferro sob os seus pés
Uma fome colossal na sua alma
E uma solidão que penetra os seus ossos
E você sorrir como se essa desgraça não fosse com você
Quem você pensa que engana, com esse disfarce?
Pobre homem! Pobre homem!
A sua alma é um cemitério de sonhos mortos
Vida triste, solitária e desamparada
Nenhum pai para te chamar de meu filho
Nenhuma mãe para te colocar no colo
Há um leão espreitando na esquina
E um demônio urrando dentro da alma
Uma luta que nunca cessa
Uma dor que nunca dorme
Como um pedaço de madeira
Destinado a arder nas chamas
Você grita, chora e pragueja
A vida é uma arma engatinhada
E apontada para a sua cabeça
Sem alma, sem voz, sem rumo, sem paz
Um monte de carne que agoniza e apodrece
Delirando e sonhando com as fronteiras da eternidade
Mas no fim do túnel, no fim disso que chamamos de nossa vida
Apenas o silêncio dos mortos que descansam sobre o pó da terra
Nada de especial, nenhum prêmio, nenhuma recompensa
Apenas o som cínico e zombeteiro de uma gargalhada forte
Velho e cheio de cabelos brancos, você se olha no espelho
E sussurra triste: Ah, meu Deus, a vida é tão breve
Então a risada no fim do túnel - trêmula - adormece e a luz se apaga
E os anjos entoam uma derradeira canção de calamidade
E sobre a lápide de latão enferrujado, um epitáfio ridículo
Pobre homem... Pobre homem de alma vazia e olhos tristes...
_VBMello